15maio
2018
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Outono/Inverno – Prevenção de doenças

Moletons Dani Lessa para o friozinho…

Estamos no outono – a estação mais seca do ano -, que assim como o inverno –  que daqui a pouco bate às portas -, concentra algumas doenças com predileção pela estação: a diminuição da umidade relativa do ar coloca as partículas em suspensão, os lugares permanecem mais fechados e isso favorece a contaminação ambiental.

As quedas bruscas de temperatura em um mesmo dia e o aumento da poluição contribuem para os quadros de gripes, rinites e doenças respiratórias, tanto inflamatórias como alérgicas.

Mas será que os pais devem sempre correr para o hospital no primeiro espirro do filho? Não! O recomendado é que o pediatra da criança faça uma avaliação.

Se você leva direto ao pronto-socorro, pode ser que ela pegue alguma doença pior, porque ali circulam muitos vírus e bactérias. O PS é para emergências e só é necessário visitar o hospital quando há falta de ar, febre que não cede, sangramento, crise convulsiva ou mudança neurológica (como sonolência).

Confira os problemas de saúde infantil mais comuns nesse período do ano e veja como ajudar o seu filho a passar por isso.


GRIPE 

O que é — Infecção dos pulmões e das vias aéreas. É provocada pelo vírus influenza, transmitido pelas gotículas da tosse ou do espirro da pessoa infectada.

 

Sintomas — No início, são mais brandos, como garganta irritada, tosse seca e congestão nasal. Depois, pode surgir febre alta e muita dor no corpo. Conforme a tosse se intensifica, começa a expectoração. A maioria dos sintomas diminui em cerca de três ou cinco dias.

Tratamento — Além do repouso (evitando esforço físico), é fundamental que a criança esteja sempre bem hidratada. Por isso, ofereça muito líquido (água, sucos naturais, água de coco). Para baixar a febre e aliviar as dores, o pediatra pode indicar medicamentos específicos, bem como descongestionante nasal se ele julgar necessário.

Prevenção — A vacinação contra a influenza é a melhor forma de se proteger. Ela pode ser oferecida a partir dos 6 meses, e é gratuita na rede pública para crianças até 5 anos. Vale lembrar que, como o vírus se modifica anualmente, o mesmo ocorre com a vacina. Portanto, a imunização deve ser repetida todo ano.

Não confunda — Gripe e resfriado são doenças diferentes. Os sintomas, por mais parecidos que sejam, são mais fortes na gripe. O resfriado comum pode ser causado por vários vírus, sendo os mais frequentes o rinovírus e o adenovírus – e não há vacina para eles.

Complicação — Uma das complicações mais frequentes associadas à gripe é a pneumonia. Isso acontece porque, quando o corpo está infectado pelo vírus influenza, os mecanismos de defesa ficam debilitados, de forma que o organismo se torna mais suscetível a infecções secundárias – daí a importância da vacinação. A pneumonia pode ser viral (quando o próprio vírus da gripe se dissemina nos pulmões) ou bacteriana (quando bactérias, como os pneumococos, se aproveitam da fragilidade do organismo para se multiplicar).

* 20% das crianças de todo o mundo são infectadas anualmente pelo vírus influenza (que causa a gripe), segundo a Unicef 


RINITE 

O que é — Inflamação da membrana mucosa do nariz. As causas podem ser alérgicas (se o sistema imunológico reage a algum fator ambiental, como pó, bolor, pelo de animais, poluição) ou viral (quando há infecção por um vírus). 

 

Sintomas — Secreção e congestão nasal. Nos quadros virais, também é comum haver tosse e febre baixa.

Moletons Dani Lessa para o friozinho

Tratamento — Ele depende da origem do problema e especificidade de cada paciente, porém, em todas as situações, a higienização nasal com soro fisiológico sempre é bem-vinda e ajuda a aliviar o desconforto.

Prevenção — Hidratação e, em casos alérgicos, é importante evitar o contato com a substância que provoca a reação do organismo. Por isso, os médicos recomendam fazer um controle ambiental rigoroso. Por exemplo, quando o problema é causado por pó e mofo, você deve adequar a casa às necessidades da criança. Tirar cortinas, carpetes, tapetes e bichos de pelúcia, deixar o ambiente arejado e passar pano úmido no chão diariamente são medidas que trazem efeitos benéficos. 


SINUSITE 

O que é — Trata-se de uma inflamação da mucosa que envolve os seios da face, que são as cavidades ósseas localizadas ao redor do nariz, das maçãs do rosto e dos olhos. Há um fluxo contínuo de secreção ali, que ajuda a eliminar organismos estranhos, causadores de possíveis problemas para o corpo. Quando esse processo é interrompido – por alterações anatômicas, infecções e alergias, por exemplo –, vírus, bactérias ou fungos conseguem se concentrar no local e se multiplicar com maior facilidade. O resultado? Sinusite à vista (ou rinossinusite, como preferem os especialistas).  

 

Quais são os tipos — Como a mucosa reveste os seios da face por completo, a inflamação se manifesta em diversos pontos. Pode ser frontal (na testa), maxilar (maçãs do rosto), etmoidal (entre o globo ocular e o nariz), esfenoidal (lateral ou no vértice da cabeça) ou pansinusite, que compromete todas as cavidades. Na hora de tratar, no entanto, o mais importante é saber o agente causador. Uma sinusite disparada por vírus evolui como uma gripe e melhora em aproximadamente uma semana. Quando o gatilho são as bactérias, ela pode ser classificada como aguda, com sintomas que duram até 14 dias, ou crônica, quando a crise persiste por mais tempo. Os tipos viral e bacteriano agudo são os mais recorrentes durante a infância. Há ainda a possibilidade de uma inflamação por fungos, mais frequente em adolescentes e adultos – ela pode causar complicações e, em alguns casos, exige intervenção cirúrgica para desobstruir a cavidade nasal.

Principais sintomas — Nas crianças, a tosse é o preponderante. Em geral, ocorre com intensidade pela manhã e fica mais discreta ao longo do dia. Quadros de febre, dores musculares, coriza, obstrução nasal e perda de apetite também caracterizam o problema. Já a dor de cabeça, apesar de ser um sinal marcante em adultos, não se manifesta na infância. O principal motivo é o fato de os seios da face ainda estarem em desenvolvimento.

É comum na infância? Sim, principalmente por causa da imaturidade imunológica e de fatores ambientais que facilitam a transmissão de micro-organismos. É por isso que costuma surgir quando o bebê já completou 6 meses de vida, depois de entrar em berçários, creches e escolas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pedagogia (SBP), as crianças podem apresentar mais do que cinco episódios ao ano. Na maioria das vezes, o estopim são gripes e resfriados.

Crianças alérgicas estão mais propensas à inflamação? Sim, a propensão é maior. A conta é simples: os processos alérgicos provocam inflamações das mucosas e funcionam como um abre-alas para os causadores da sinusite. Além disso, o nariz costuma ficar mais inchado, o que prejudica a eliminação de secreções e favorece a ação dos agentes infecciosos.

Como é feito o diagnóstico? A avaliação é clínica e, nas crianças, não há necessidade de exames de imagem. O médico investiga o histórico e verifica quando começaram os sintomas. Diferenciar as causas é difícil, mas algumas pistas ajudam. Por exemplo, na sinusite viral costuma haver febre baixa, fluido nasal grosso, tosse e dor de garganta. Na bacteriana, a febre é alta (39°C), o nariz fica e entupido e a secreção tem cor amarelada ou mais escura.

Como identificar os casos de sinusite crônica? Os sintomas duram mais de 12 semanas. Mas, para a tranquilidade das mães, a sinusite crônica não é comum na infância. Quando acontece, certamente o diagnóstico está relacionado a alergias, aspectos físicos como desvios de septo e a fatores como refluxo ou fibrose cística (uma doença genética que afeta os aparelhos digestivo e respiratório e as glândulas sudoríparas). Essas alterações anatômicas podem dificultar a drenagem das secreções e abrir uma porta para vírus, bactérias e fungos que causam a sinusite. É fundamental tratar primeiro a doença por trás do problema. Procure um pediatra. A orientação de um profissional é importante para confirmar o diagnóstico e realizar o tratamento mais adequado.

O que pode disparar uma crise? Uma das principais causas é a gripe comum, que baixa a guarda do organismo e abre caminho para bactérias. Já ambientes com ar-condicionado ou clima muito seco ajudam a disseminar fungos que se alojam nos seios da face. Outro agravante são os ambientes com excesso de pó. A poeira provoca alergias, o que causa inchaços no nariz e favorece o acúmulo de secreções.

Como é feito o tratamento? A sinusite viral é tratada como uma gripe, com analgésicos e descongestionantes que controlam os sintomas. Assim como outras infecções virais, a tendência é melhorar em até dez dias. Já as bacterianas requerem antibióticos receitados pelo pediatra. O mesmo tipo de remédio é indicado em casos crônicos, tratamento muitas vezes complementado com descongestionantes, expectorantes e corticoides tópicos. Eles são administrados durante três semanas, no mínimo. Para a sinusite fúngica, o tratamento pode ser cirúrgico ou medicamentoso.

E no dia a dia, o que pode contribuir para evitar o problema? Desligar o ar-condicionado e fugir de ambientes muito secos é uma maneira de contornar possíveis gatilhos. Mas o maior segredo é a hidratação. A água tem papel decisivo quando o assunto é sinusite, pois umidifica e dilui as secreções. Assim, elas são eliminadas com mais facilidade. Como referência, bebês de 7 a 12 meses devem beber 800 ml de líquidos por dia (incluindo o leite materno). Entre 1 e 3 anos, são 900 ml. Dos 4 aos 8, a ingestão deve ser de 1,2 litro. Nas épocas mais secas e frias, fazer a lavagem nasal diariamente é uma boa alternativa para prevenir a doença (veja ao lado). Outra dica é a inalação a vapor, que faz uma limpeza completa das vias aéreas. O ressecamento do nariz favorece o acúmulo de impurezas e facilita a proliferação de bactérias.

Há algo que possa ser feito em casa para aliviar os sintomas? Como as principais manifestações são nariz entupido e tosse, a lavagem nasal é uma boa saída. Com um conta-gotas, despeje três gotinhas de soro fisiológico em cada narina. Nesse momento, o truque é inclinar a cabeça da criança um pouco para trás, para garantir que a solução penetre no nariz. O procedimento pode ser feito até três vezes ao dia. Assim, as vias aéreas ficam livres e seu filho respira aliviado.

A alimentação ajuda a prevenir a sinusite? Com certeza. Alimentos ricos em vitamina C, como laranja e acerola, são ótimas opções para fortalecer o sistema imunológico. Tomar chás quentes e comer abacaxi, fruta que tem propriedades expectorantes, pode amenizar os sintomas. 


DORES DE GARGANTA: AMIDALITE, FARINGITE E LARINGITE  

A grande maioria das dores de garganta é causada por vírus e quase sempre está associada a gripe ou resfriado. Em geral, a criança apresenta sintomas de febre, mal-estar geral e dor local. Veja como é o tratamento para cada caso. 

 

Amidalite — Em geral, as amidalites são provocadas por vírus, apenas 15% são causadas por bactérias. Isso significa que, em 85% dos casos, não é preciso dar antibiótico. A criança com amidalite tem falta de apetite, dor e coceira na garganta, dor de cabeça, tosse, coriza e febre. Nos casos mais agudos, a infecção se alastra atingindo a faringe e as cordas vocais, provocando rouquidão e até perda temporária da voz. Para o tratamento ser eficaz, o médico pede o teste para identificação da bactéria estreptococo do grupo A. Se der positivo, ele receitará antibiótico. Se o teste for negativo, o melhor é aliviar os sintomas com antitérmicos e analgésicos até que o ciclo do vírus acabe, o que ocorre em 3 ou 5 dias.

Capas de Chuva

Faringite — A inflamação da laringe costuma acompanhar as amidalites e outras infecções das vias respiratórias, para a preocupação dos pais. É o médico quem consegue definir com precisão se a dor de garganta é proveniente da faringe ou da amídala, pois os sintomas e até mesmo as causas são muito semelhantes.

Laringite — A laringite é a inflamação da mucosa da laringe, a parte superior da traqueia. Algumas vezes a causa é viral, outras por reação alérgica. Em geral, a criança fica com falta de apetite, febre, coriza e rouquidão.
Algumas vezes, esses sintomas se intensificam e são associados a falta de ar e inchaço nas vias respiratórias, o que faz com que o ar passe “assobiando”. O tratamento consiste em medicamentos para aliviar os sintomas e, dependendo da gravidade do caso, antialérgicos. 


ASMA 

É facilmente confundida com bronquite e cerca de 15% das crianças e jovens sofrem com asma. Mas, muitas vezes, o diagnóstico tarda a ser feito. Frequentemente, a doença é confundida com bronquite, que é o processo inflamatório dos brônquios, devido ao acúmulo de muco.

 

Na grande maioria das vezes, a asma em crianças e adolescentes pode ser definida como a bronquite ligada a reações alérgicas. É quando corre um fenômeno inflamatório causado por um processo alérgico,que normalmente é desencadeado por inalantes como poeira, ácaros, pelos de animais e bolor. Esses alérgenos podem causar uma inflamação crônica das vias aéreas, que é asma. Nessa época do ano, em que o clima fica mais seco e frio, os principais desencadeadores das crises são os vírus respiratórios. A poluição e a exposição ao tabaco, mesmo que indireta, podem também ser gatilhos.

É genético — Há vários genes que podem ser apontados como responsáveis pelo desenvolvimento da doença e que determinam sua gravidade. Quando existe histórico de asma na família, ou de bronquite e doenças alérgicas, há grandes chances de a criança desenvolver o problema. Principalmente se os mais próximos – pai, mãe ou irmãos – já têm asma.

A boa notícia é que, mesmo antes que os primeiros sintomas se manifestarem, é possível observar alguns sinais que indicam uma predisposição. Se a criança começa a manifestar sinais precoces de alergia, como crostas na cabeça e atrás das orelhas, pele seca e rinite, além de já ter um histórico familiar, ela é uma forte candidata a desenvolver a doença.

Atenção aos sinais — Os sintomas clássicos da doença são tosse e chiado no peito. Alguns jovens também descrevem sentir uma espécie de aperto no peito. Mas a asma dá ainda outras pistas, como o despertar noturno. Há crianças que não têm sintomas durante o dia, mas acordam com tosse ou falta de ar – sinais muitas vezes ignorados pelos médicos. Existe também a asma induzida por exercício: ao correr, se movimentar ou mesmo dar risada, a criança tosse, fica sem ar. Isso também pode ser um sintoma. Por isso, um dos critérios para diagnosticar a doença é avaliar se a criança tem alguma limitação quando se exercita.

Existe controle, não cura — Com seis meses de tratamento é possível conter as crises. O uso de corticoides é de praxe para sanar a inflamação e, com isso, as chances de a inflamação aparecer vão diminuindo. Assim, a medicação pode ser gradativamente retirada. O grande problema é que muitas crianças chegam ao hospital para tratar a crise de forma pontual, sem manter uma continuidade que garanta que o problema não se manifeste novamente.

Atenção extra aos desencadeadores — Embora não haja uma cura, é importante controlar os fatores que podem desencadear as crises. Assim como é importante evitar o contato com alérgenos como ácaros, bolor e animais, manter o ambiente doméstico limpo e bem arejado é extremamente importante. Além disso, manter a vacinação em dia contra agentes que causam problemas respiratórios, como o vírus da gripe, também é importante, não apenas para evitar a asma, mas também várias outras doenças.O tempo seco, que resseca as mucosas, também pode prejudicar as vias respiratórias e agravar o problema. 



CONJUNTIVITE 

A conjuntivite é caracterizada pela inflamação da membrana conjuntiva que cobre o olho e a superfície interna das pálpebras. Além de manter a higiene pessoal sempre em ordem, para prevenir contra a doença, é importante buscar tratamento e orientação médica imediatamente, caso haja suspeita de estar com conjuntivite. 

 

Cachecol

Sintomas — olhos avermelhados, lacrimejamento, sensação de areia, pálpebras inchadas e avermelhadas (e grudadas ao acordar), secreção amarela, verde ou branca, intolerância à luz e visão borrada. Vale lembrar que há dois tipos de conjuntivite: a viral e a bacteriana. No primeiro caso, o paciente lacrimeja em abundância e sente dores fortes; já no segundo há secreção nos olhos.

Normalmente, a conjuntivite viral leva 20 dias para sarar e é bem possível que afete o outro olho. O tratamento consiste no alívio de sintomas, com compressas geladas para reduzir o inchaço e colírios lubrificantes. No caso da bacteriana, a cura pode acontecer por volta de 10 dias. Como é uma bactéria, especialistas podem indicar um colírio de antibiótico. Lembre-se que só o médico do seu filho poderá dar o diagnóstico sobre o tipo de doença e indicar a medicação adequada.

Outro cuidado fundamental é deixar as crianças em casa durante o tratamento, para evitar passar a doença para os colegas da escola.

Outras dicas para evitar a conjuntivite são:

– Lavar as mãos e o rosto com frequência, com água e sabão.
– Evitar coçar os olhos.
– Lençóis, travesseiros e toalhas devem ser de uso individual.
– Evitar compartilhar objetos (maquiagem, copo, toalha, travesseiro e etc.) com quem está com conjuntivite, principalmente colírios. 


Fonte: Revista Crescer | Pesquisa e Edição: Agência DB



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